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Horácio sendo Horácio.

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No livro SALTO VELOSO (RE)CONTA SUA HISTÓRIA. “QUEM SOMOS. DE ONDE VIEMOS”, A saudosa Alzira Scapin coletou um testemunho do “NEGO HORÁCIO” “Antigamente muitos caboclos que moravam lá pelas bandas de Palmas ou mesmo em Água Doce faziam roças no Veloso, pois naquela época a terra não tinha dono; só diziam que era da 'Companhia'. A caboclada plantava milho e depois vendia para os fazendeiros que faziam a ceva dos porcos. O milho era levado da roça até os galpões das fazendas no lombo de mulas. Isso aconteceu durante muitos anos, assim os caboclos ganhavam um dinheirinho." "Eu conheci o velho Veloso, o Antonio Veloso pai. Sim, porque tinha o Antonio Veloso Filho, que também morou nessas bandas por muito tempo. O velho Veloso era um homem baixote, meio gordo, falava pouco e trabalhava bastante. Ele tinha um rancho ali, logo abaixo da Colônia Brinco, onde morava com a família. Lutava com roça e ainda ganhava algum dinheiro com a tropa de mulas, carregando sal para os fazen...

Parábola Brazil

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  O Alerta da "Brasilização" A ECONOMIA MUNDIAL oferece muitos contos de advertência. A inflação da Argentina mostrou o perigo de tratar um banco central como um caixa eletrônico. A estagnação da Itália mostra o lado negativo de aderir a uma união monetária com altas dívidas herdadas. A Grã-Bretanha sofreu com o Brexit, que ergueu barreiras comerciais com seus vizinhos mais próximos. Mas o alerta mais oportuno para muitas das grandes economias do mundo vem do Brasil. Como relatamos, o Brasil tem um crescimento econômico decente, um banco central independente e seu orçamento primário — ou seja, excluindo o pagamento de juros — está quase equilibrado. Sua dívida líquida, em 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas baixa para os padrões do mundo rico. O Brasil, no entanto, tem um grande problema: seu governo deve pagar taxas de juros estratosféricas para custear suas dívidas. Controlar a inflação exigiu que o banco central fixasse as taxas de curto prazo em...

A História Cultural dos Gramados

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Como um pedaço de grama virou símbolo de poder, status e riqueza O gramado como algo “natural” — ou nem tanto O que é verdadeiro para as grandes revoluções sociais é igualmente verdadeiro para o micronível da vida cotidiana.  Um jovem casal construindo uma nova casa pode pedir ao arquiteto um belo gramado no jardim da frente. Por que um gramado? “Porque gramados são bonitos”, o casal poderia explicar. Mas por que eles pensam assim? Existe uma história por trás disso. Os caçadores-coletores da Idade da Pedra não cultivavam grama na entrada de suas cavernas. Nenhum prado verde recebia os visitantes na Acrópole ateniense, no Capitólio romano, no Templo Judeu em Jerusalém ou na Cidade Proibida em Pequim. A ideia de cultivar um gramado na entrada de residências privadas e edifícios públicos nasceu nos castelos dos aristocratas franceses e ingleses no final da Idade Média. No início da era moderna, esse hábito criou raízes profundas e tornou-se a marca registrada da nobreza. Gramad...

Amor ao invés de medo. E isso em 1967.

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 Retirado da edição de julho de 1967 da extinta revista Realidade.

O “Boicote”

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  Boicote às Havaianas revela fragilidade estratégica do bolsonarismo, analisa José Geraldo de Sousa Jr. Para o professor da UnB, tentativas de cancelamento contra marcas famosas costumam gerar o "efeito reverso", transformando o ataque em propaganda gratuita e despertando o desejo de consumo no público. Destaques da análise: • O Efeito Bumerangue: José Geraldo compara o caso a boicotes históricos contra Coca-Cola e McDonald’s. Segundo ele, o movimento ativa gatilhos psicológicos que aumentam a visibilidade do produto, atingindo até quem não compreende a motivação política da ação. • Coesão pelo Conflito: Após derrotas políticas e jurídicas, o bolsonarismo utiliza esses ataques para manter a base mobilizada. "É uma tentativa de criar coesão interna através do afeto e do ódio, mesmo que desconectada da realidade", afirma o professor. • Inimigos Imaginários: A reação à campanha com Fernanda Torres é vista como uma simplificação grosseira do debate. Para Geraldo, ao ro...

Recalculando a rota

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A inteligência artificial apresenta oportunidades deslumbrantes para as crianças, mas também riscos preocupantes. Pode ser que as meias de Natal contenham mais surpresas do que o NATAL de costume neste ano, já que as crianças abrem presentes que podem responder. Fabricantes de brinquedos na China declararam 2025 como o ano da inteligência artificial (IA) e estão produzindo robôs e ursos de pelúcia que podem ensinar, brincar e contar histórias. Crianças mais velhas, por sua vez, estão vidradas em vídeos virais de IA e jogos aprimorados por IA. Na escola, muitas estão sendo ensinadas com materiais criados com ferramentas como o ChatGPT. Algumas estão até aprendendo ao lado de tutores-chatbots. No trabalho e na brincadeira, a IA está reconfigurando a infância . Ela promete a todas as crianças o tipo de criação que antes estava disponível apenas para os ricos, com tutores particulares, programas de estudos personalizados e entretenimento sob medida. As crianças podem ouvir músicas composta...

Porto dos Gaúchos – a cidade que nasceu desafiando a selva

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Quem viveu cinco anos no norte de Mato Grosso, como eu, acaba desenvolvendo uma curiosidade quase irresistível por Porto dos Gaúchos. A cidade sempre me pareceu um mistério: como foi possível fundar, em pleno coração da Amazônia mato-grossense, um povoado nos anos 1950, décadas antes da BR-163 (Cuiabá-Santarém) ou de qualquer infraestrutura mínima de sobrevivência? A resposta chegou em forma de uma obra monumental: um livro de quase 400 páginas organizado por Henrique Meyer, filho do lendário colonizador Guilherme “Willy” Meyer (falecido em 1994). Com a ajuda dos irmãos Ingrid e Neac Arigbátsa, Henrique reuniu fotografias, recortes de jornais, boletins da empresa colonizadora e relatos de época para contar, em detalhes impressionantes, a saga dos pioneiros que transformaram a Gleba Arinos em uma das cidades mais antigas e simbólicas do norte matogrossense. Trata-se de uma experiência de colonização privada e visionária, rara no Brasil. Em 1955, partindo de Santa Rosa (RS), Willy Meyer ...