A palavra HEXA? Não aguento mais.
Brasil foi passivo, preguiçoso, pachorrento.
Completaremos mais um ciclo sem Copa do Mundo. Serão 28 anos, a maior abstinência de nossa história. Não aguento mais ouvir a palavra "hexa".
É a pior campanha desde 1990, e tecnicamente muito similar ao plantel mediano de Sebastião Lazaroni, que caiu diante da Argentina.
Tornou-se a aposentadoria melancólica de Neymar, deixando um gol de honra nos acréscimos, que mais pareceu de comiseração.
Erramos um pênalti como na desclassificação de 1986. Erramos tudo como nas últimas duas décadas.
Quem nasceu depois de julho de 2002 nunca viu o Brasil levantar a taça.
Desaprendemos a ganhar.
A Noruega nem precisou de muito esforço para vencer a Seleção Brasileira por 2 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, na tarde de domingo (5).
O fiorde nos apequenou. Os gigantes (meio time com mais de 1,90m) dominaram o céu e a terra.
Haaland assumiu a artilharia da competição, com sete gols. Quando tocou na bola, fez. Não existe um matador tão sangue-frio quanto ele.
Cabeceou como se fosse fácil. Arrematou de fora da área como se fosse simples.
Alisson se esticou ao máximo enquanto ele realizava o seu básico.
Era um semideus de rabo de cavalo no meio de meros mortais, um Thor com o martelo da testa e do chute.
Ele se vingou dos memes do filme As Branquelas, nos quais se curvava a Vinícius Júnior.
A remada agora será feita para as quartas de final. Os noruegueses mereceram.
Exemplificaram em campo as cores da sua bandeira: o vermelho pelo sangue derramado; o branco pela postura gélida como a neve; e o azul por buscar, mais do que nós, a imensidão dos mares.
Existe uma lenda da tradição nórdica, a Saga dos Volsungos, da Era Viking, em que o herói Sigurd mata o dragão Fafnir. Ao provar o sangue do dragão, passa a compreender a linguagem dos pássaros. O vencedor leva consigo parte do destino do vencido.
Que a Noruega absorva em seu DNA a esperança do torcedor brasileiro.
Pois praticou a imortalidade (Oröstirr) da reputação. Não lutou de qualquer jeito, mas sempre bravamente, com o queixo erguido, enxergando-nos do alto, esparramados e letárgicos no chão.
By Fabrício Carpinejar





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