Brasil, século 21
Seu João, vamos chamá-lo assim, vive da pesca da piaba, um peixe minúsculo, abundante nas águas calmas do Rio Pericumã, vendendo por R$ 3,00, isso mesmo, três reais, o quilo, lá em Pinheiro,na região conhecida como Baixada Maranhense.Num dia de pesca boa, ele ganha 30,00 ou 40,00, dos quais retira seu sustento e de sua família. Um pelo outro, dia bom e dia ruim, não passa de 600,00 sua renda. Na moeda dos economistas, são em torno de U$ 4,00 dólares por dia. Quando as águas baixam, essa conta cai pela metade. Nem sabe dizer desde quando mora nessa casa, tendo quase certeza que nasceu ali. Nunca foi à escola, nunca aprendeu a ler. Seu mundo é visual e verbal. A catarata prejudica sua visão e ele não mais fala a língua que jurava saber de cor. Seu João precisou da Justiça, basicamente porque precisa aposentar-se: a pesca ficou perigosa e os braços não conseguem mais empurrar o remo da canoa. Na sua vida,tudo se move à tração humana:a água da cisterna,o bote, o peixe, o candeeiro. O juiz ...